quinta-feira, 20 de outubro de 2016

declaração de amor

Te amo desde o primeiro dia que te vi.
no começo era amor de necessidade
um amor de cachorro pidão
olhos desesperados buscando carinho.
um lar.

por que construo o amor com distância?
qual o sentido de não estar perto?
se é o teu sorriso que procuro no meu dia
aquele momento de explosão enérgica.
te iluminas.

Do mesmo jeito que me disseram um dia
te amo sabendo que você é minha menina.
Sei que o que vai sempre volta
mas de nós só quero a eterna ponte.
o contínuo.

Desculpa se faço dessas coisas 
se me entrego a mim mesmo
sem pedir licença a ninguém
sem dar explicações.
é que minha cabeça eu não controlo.
e tento entender
sem conseguir.
queria ter controle
(o antónimo de remoto)
mas não sei em que piscina
bar
país
cigarro
paixão
remédio
cegueira
filme
o perdi.

quero poder lembrar de tudo outra vez.
sabia que eu gosto muito de teatro?
que uma vez eu respirava isso?
que isso era o que movia meus dias?
pois é que eu nem lembrava mais disso…

Não amo o que faço. não sei amar mais.
Descobri esses dias que já não tenho mais tesão.
Morena, eu virei o boneco que tanto temia.
sou o caixa de supermercado.

Queria poder controlar minha mente.

andei lendo umas coisas q escrevia antigamente. n lembrava d nada. e me apaixonei por esse rapaz todo menino levado, mesmo que contido. mas poxa xuxu (shoo shoo), esse moço era eu. q foi q  aconteceu? n consigo nem lembrar do momento em q (…)
to vegetando, mesmo te amando. mesmo amando tanta gente, morena. como é q a gente arruma a bússola se n acha nem o tempo pra ler um livro e engrossar os conhecimentos? o pior é q leio o livro num dia e no seguinte, qnd vou continuar, já nem lembro mais...

acho que eu não faço uma careta já fazem anos.

desculpa te cantar essa balada de louco
morena.
mas é que to precisando lembrar como é minha voz.

e não to me despedindo de tu.
muito menos dizendo que vou sumir um tempo.
to mesmo é me explicando.
ou tentando.
tem sempre alguém que diz
que de mim, falo pouco.
pois é morena,
te amo tanto
que to falando pra ti.

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Escrevi muito, mas agora tenho medo. Tenho essa leve impressão de que você pode olhar isso algum dia. E não quero que você leia. Quero que você ouça tudo que escrevi.



(...) Temos tão pouco tempo. É tão pouco para poder acertar as coisas. Não quero ir embora sem ter a oportunidade de deixar tudo preparado. Não quero perder uma oportunidade. Por favor não me deixa sozinho no escuro. Mostra pra mim se é por você que eu tenho que lutar.

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Paulo e as Palavras


Pra não perder o ritmo, Paulo resolveu pegar de seu papel e caneta, e escrever alguns versinhos. Não foram o esperado, já que de fato, ele nada esperava. Quem apenas pega papel e caneta, só espera que algo venha, sem saber o que será isso. Mas Paulo não ficou exatamente descontente. Tinha sim que aprender a lidar com as palavras que havia escrito. Precisava interpretá-las e até mesmo, por mais que o tenha feito debaixo da mesa, escondido, pegar do dicionário e procurar o significado de uma palavra. Disso não deveria ter vergonha, afinal, ela era bem grande e parecia ter mais consoantes que vogais. Mas quem nesse mundo pode controlar a vermelhidão das bochechas quando elas decidem aparecer? Pois entre bochechas e não saber o significado de uma palavra existem poucas diferenças. Não, seu rosto não ficou rubro, mas certamente o teria ficado se alguém tivesse entrado no seu quarto e o visto com o dicionário em mãos. E foi mesmo por estar sozinho que ao saber do significado da palavra Paulo abriu um leve sorriso. Seria uma grande gargalhada de satisfação, mas ele preferiu exterioriza-la em um pequeno desenho que fez no canto inferior esquerdo da folha. Nada muito complexo, só o pequeno sapo de cabeça enorme e patas bem curtinhas que sempre desenhava. Era seu desenho "pré-fabricado", desses que todo mundo tem um. Claro que grande parte da população se deixa levar pela timidez e a insegurança disso que a sociedade chama de um mal traço e adota para si o famoso elefante-ponte. É uma maneira de não ser julgado. Paulo não conseguiu se desfazer de seu sapo. Até tentou uma vez, mas enquanto ainda ia pelo corpo do elefante acabou por transformar esse desenho num sapo triste. Quisera ele que as palavras se defendessem dessa maneira também. Mas dessa palavra grande, com mais consoantes que vogais, a qual buscara no dicionário, lhe parece que jamais haveria a possibilidade de metamorfose. Mal sabia Paulo que as palavras não passam de 23 desenhos, e seus enfeites, organizados e repetidos à sorte, e que tudo o que esperam é a ponta de uma caneta para transformá-las em outra coisa.