terça-feira, 6 de janeiro de 2015
A fragilidade de algo que cresce (06/12/2014)
Tão forte se faz o tronco da figueira a cada milímetro que cresce, mas tão fraco se põem seus galhos a medida que se espalham. Escreveu num bilhete e o colocou na porta da geladeira, sob um imã de morango. Queria poder dizer que depois saiu de casa, que foi ao seu parque preferido até então para ver aquela estátua de dragão, toda em ferro-ferrugem, que sentia o calor do sol em sua pele, que da mochila tirou a máquina fotográfica e fez fotos. Queria dizer que tomou a coragem de pegar um ônibus, parou em frente a loja que mais queria conhecer, não entrou, e do alto de um viaduto jogou seu celular a sorte dos Michelins e Goodyears. Que se permitiu pegar roupas de sua família, se disfarçou, e que saiu as ruas fingindo ser outra pessoa, só por diversão. Que escreveu uma carta de 7 páginas, sem terminar, e que apenas parou na página 7 porque lhe gostava o número, a referência contraditória à criação do mundo dentro de seu ateísmo. Que resolveu conversar com alguém. Que ficou nu no meio da universidade. Que cantara alto nas ruas. Que fora para o mundo o bobo que sempre foi para alguns. Que dissera não. Que beijara só por beijar. Que falara. Mas não, apenas sentou-se na cadeira branca em seu quarto, em frente a sua escrivaninha.
Assinar:
Comentários (Atom)